Movimentos de pais continuam a exigir o
fim de um alegado programa nas escolas
O Ministério da Educação pediu ontem um parecer ao
Conselho Nacional de Educação (CNE), um órgão
consultivo, sobre o modelo de educação sexual
actualmente em vigor nas escolas. Na Internet, e
agora em papel, continuam a circular petições a
pedir o fim de um alegado programa de educação
sexual dado nos estabelecimentos de ensino.
O secretário-geral do CNE, Manuel Miguéns, afirmou
não ter ainda recebido nenhum pedido de parecer
sobre educação sexual, adiantando que qualquer
apreciação só será conhecida dentro de um mês.
O semanário Expresso publicou há duas semanas um
artigo sobre os manuais que fazem parte da
bibliografia autorizada pelo Ministério da Educação
para o ensino da educação sexual nas escolas.
Segundo o artigo, alguns dos livros que poderão ser
usados pelos professores propõem exercícios em que
se pede a crianças de 10 e 11 anos para "colorir
partes do corpo que gostam que sejam tocadas".
O Ministério da Educação informa em comunicado que
"não existe a disciplina de educação sexual" nos
currículos do ensino básico e do secundário, nem tão
pouco um programa oficial, como é afirmado na
notícia do Expresso". O que existe são as chamadas
linhas orientadoras, publicadas em 2000 e elaboradas
em colaboração com o Ministério da Saúde e a
Associação para o Planeamento Familiar (APF).
No mesmo comunicado, semelhante ao que já foi
publicado pelo Expresso no sábado, a tutela repete
que "não existem manuais escolares" e que as escolas
"têm sempre autonomia para integrar nos seus
projectos curriculares o que considerarem ser mais
adequado".
Em resposta à notícia do Expresso, a Associação
Portuguesa das Famílias Numerosas e um movimento de
pais intitulado MOVE puseram a circular duas
petições, uma na Internet e outra em papel, exigindo
a suspensão do alegado programa curricular e dos
protocolos estabelecidos entre o ministério e a APF.
A associação afirmou "desconhecer por completo a
existência de qualquer programa oficial" que esteja
a ser aplicado nas escolas.