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Debate em aberto
Monica
Contreras e Rosa Pedroso Lima
A
notícia do EXPRESSO provocou uma onda de reacções. Os
partidos estão divididos, mas reclamam um debate.
Só o Governo não
adianta o que pretende fazer
O
Ministério da Educação
«não tem mais nada a dizer» sobre a situação da
Educação Sexual nas escolas portuguesas. Apesar dos
protestos - que levaram ao lançamento de uma petição, a
críticas de vários sectores e até a um requerimento formal
do grupo parlamentar do CDS pedindo esclarecimentos -, Maria
de Lurdes Rodrigues recusa-se a adiantar se vai tomar
qualquer iniciativa nesta área sob sua tutela.
Logo no
início da semana, a Associação Portuguesa das Famílias
Numerosas lançou no seu sítio na Internet uma petição
dirigida ao Presidente da República e ao presidente da
Assembleia da República, assim como ao primeiro-ministro,
ministra da Educação, provedor de Justiça e procurador-geral
da República, reclamando, entre outros pontos, a
«suspensão imediata»
da aplicação das actuais Linhas Orientadoras para a Educação
Sexual nas Escolas, programa que vigora desde 2000. Até ao
final da tarde de ontem, eram perto de 6.500 as assinaturas
recolhidas.
Na
segunda-feira, a comissão parlamentar de Educação recebeu a
visita da ministra Maria de Lurdes Rodrigues e questionou-a
sobre esta matéria. «Não
ficámos satisfeitos com as respostas», disse ao
EXPRESSO João Almeida, o deputado centrista representado na
Comissão. «A ministra
considerou normais as diferenças de opinião existentes sobre
esta matéria» e, segundo o deputado, confirmou
mesmo «estar em
andamento» a renovação do protocolo assinado com
a Associação para o Planeamento da Família, para
prosseguimento destas acções escolares na área da Educação
Sexual. Na sequência desta intervenção, o CDS enviou um
requerimento pedindo esclarecimentos formais ao Governo
sobre a «natureza»,
«condições financeiras»
e «avaliação»
do protocolo. O partido quer ainda saber se o Ministério
pretende, ou não, alterar o actual sistema de Educação
Sexual.
PSD frustrado e BE concorda.
Mas as
bancadas parlamentares estão muito divididas nesta questão.
João Teixeira Lopes, do BE, defende a
«educação sexual como disciplina independente e virada para
as questões da saúde» e considera que
«os ensinamentos da APF são os mais científicos e os mais
adaptados aos jovens». As outras Organizações Não
Governamentais que têm protocolos com o Ministério pecam,
segundo o deputado bloquista, por surgirem
«coladas à doutrina da
Igreja; defendem o método natural e a não utilização do
preservativo». Defendendo que os responsáveis
governamentais «deixem de
daí lavar as suas mãos e passem a definir conteúdos, com
pais, médicos e outros especialistas, numa visão aberta»,
Teixeira Lopes assume concordar com os manuais existentes.
Luísa
Mesquita, da bancada parlamentar do PCP, considera
«impossível o país continuar
sem medidas sobre educação sexual. Continua a existir pouca
formação de professores e pouca articulação entre os
parceiros». Admitindo a possibilidade de terem
existido «más práticas», a responsável comunista defende que
tal não justifica, de forma alguma, a decisão de
«acabar com a educação
sexual nas escolas». As eventuais falhas, segundo
Luísa Mesquita, surgem por
«não ter havido investimento
na formação de professores nem em manuais. Cabe agora ao
Governo redefinir e clarificar os conteúdos»,
conclui.
Já
Pedro Duarte, do PSD, considera-se
«chocado» com os dados
revelados pelo EXPRESSO e perante a «ineficácia total» da
educação sexual ministrada nas escolas. Apesar de ter tido
responsabilidades governativas recentes, o deputado
social-democrata assume que o seu Governo «começou com boas
intenções, mas que não conseguiu concretizar».
«Nesse
sentido,
assumo uma certa frustração», conclui.
Os
sociais-democratas optam, porém, por não reagir no imediato.
«Vamos aguardar pela
decisão do Governo» e pelas iniciativas a tomar
pela ministra da Educação. No entanto, o compasso de espera
não será ilimitado, esperando pelo
«início do próximo ano
lectivo» como data limite para se conhecerem os
novos projectos e decisões.
Finalmente, as Associações de Pais vieram reivindicar um
papel mais activo na definição dos conteúdos a ministrar
nesta área do ensino. A Confederação Nacional (Confap) conta
ter pronta até ao final do mês uma proposta de alterações
para apresentar à ministra. Um conjunto de federações e
associações - que se reclama representar mais de dez mil
pais e encarregados de educação - solicitou uma audiência
com carácter de urgência a Maria de Lurdes Rodrigues. Estas
associações pedem ao
«Governo que a Educação Sexual deixe de ser feita de forma
descontrolada e à revelia dos pais». |